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Esgotamento ou procrastinação: a importância das pausas.

Data: 06/08/2021
Autor: Martina Catini Trombeta

O estereótipo imposto para o sucesso é o non-stop, e a cobrança pelo elevado padrão de produtividade faz com que não fiquemos confortáveis com momentos de esgotamento, pausas ou simples intervalos.

Contemplar o ócio e aceitar a sua necessidade é, de fato, um desafio para aqueles que buscam o padrão de excelência.

Ter férias, descansar, são comportamentos que sairam de moda ou perderam a sua aceitação social. Seja pela cobrança externa ou pela culpa que carregamos por, às vezes, termos a necessidade orgânica de desligar, dar um tempo, de coisas, pessoas, compromissos, obrigações…

A vida extremamente conectada, na era do trabalho em qualquer lugar e a qualquer hora, telefones e mensagens vinte e quatro horas, internet extremamente acessível, tem lá suas vantagens, mas consigo, traz muitos prejuízos por perdermos o parâmetro do quanto temos que estar disponíveis e produzindo.

Não nos permitimos descansar, colocamos regras de disponibilidade sem fim em nossos comportamentos que faz com que sintamos uma enorme culpa quando não estamos produzindo.

A desconexão, seja por algumas horas ou até por dias, gera ansiedade e frustração, como se estivéssemos perdendo tempo, e essa sensação, somatizada ao longo do tempo, faz com que o esgotamento traga como consequência a falta de produtividade.

Não é à toa que os gregos contemplavam o ócio (scholé), que significa um estado de paz, de fruição criadora, que é condição intrínseca à sabedoria.

A busca pelo equilíbrio e sucessiva produtividade em altos níveis precisa necessariamente de momentos de ócio. E nesses momentos em que permitimos gozar de paz, as nossas conexões neurais e psíquicas fazem novas ligações, inter relacionam aprendizados e abrem novos horizontes.

Perceber o momento de parar, seja por algumas horas ou dias é um direito e uma necessidade, respeitar-se, entender que é necessário, permitir-se não olhar o telefone a cada cinco minutos, e não se sentir na obrigação de responder contingências não urgentes apenas para atender a um padrão imposto ou simplesmente preencher a ansiedade alheia da pronta resposta, é preciso.

Lembre-se, as pausas não são necessariamente procrastinação e são muito importantes para o sucesso em todos os campos. Comparemos nossas vidas com os treinos de atletas de alto rendimento, que utilizam-se de treinos intervalados, com fortes estímulos seguidos de pausa, sendo que os estímulos fortes e fracos aplicados nos treinos são estratégias voltadas à uma progressiva e rápida recuperação, e necessariamente relacionada à progressiva melhora.

Utilizando dessa analogia fica mais fácil visualizar a importância dos intervalos em nosso dia a dia. O respeito com as nossas vidas e a busca pelo equilíbrio, associado a estratégias são a chave do sucesso e estão totalmente associados ao esqulibrio emocional.