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O pensamento e o completo caos dos sentimentos aleatórios.

Data: 30/04/2021
Autor: Martina Catini Trombeta

Nossa vida se move pela forma que escaneamos o que acontece conosco, e o tempo todo, fatos e situações, envolvendo lugares, pessoas, eventos da natureza ou acontecimentos, com estímulos sensoriais, visuais e auditivos, que fazem parte das nossas vidas.

Portanto, estamos, o tempo todo, sob atividade da nossa mente, escaneando o mundo, tendo pensamentos, que nos geram sentimentos e que, sim, refletem em um comportamento.

Será que pensar e ter pensamentos é a mesma coisa?

Em verdade, o pensar é um ato controlado, consciente. “Pensar” sobre algo permite um controle das emoções e sensações.

Já os pensamentos são devaneios, fruto da nossa mente inconsciente.

E de onde nascem de onde? Como eles impactam em nossas vidas?

Os pensamentos surgem com estímulos do momento presente (chamamos de gatilhos), que despertam, através de memórias guardadas, integrantes de um banco de dados, e condicionado à qualidade dessas memórias, surgem os sentimentos, e por consequência, comportamentos.

Portanto o pensar (consciente) e o pensamento (devaneios), são processos diferentes, com consequências distintas em nossas vidas.

Além disso, temos crenças e valores que integram a origem dos pensamentos, fazendo parte dessa estrutura, compondo um banco de informações que temos na mente que podem ser limitadoras ou possibilitadoras.

Frases como: “tem que comer tudo”, “não suba na escada que você vai cair, fulano caiu e morreu”, “você não consegue fazer isso é muito difícil, deixa que seu irmão faz”, “acordar tarde é coisa de gente preguiçosa que não dá certo na vida, olha cicrana, não dá em nada”, “se você apanhar na escola é um fracassado, tem que impor respeito aos coleguinhas”, e muitas outras coisas que ficam cravadas em nossas mentes.

Dos 0 aos 7 anos somos uma espécie de esponja, que absorvemos sem filtro o que nossos pais, professores e outras pessoas que fazem parte dessa etapa de formação.

Vamos para um exemplo, imagine que alguém esbarra em você no supermercado, um fato comum!

Por conta disso, inconscientemente esse fato a princípio completamente “irrelevante” pra nossa mente consciente, pode trazer alguns pensamentos, como: “que pessoa folgada, pensa que é dona do mercado”, ou então, “ninguém me respeita, nem no mercado, sou mesmo um fracasso”, ou, ainda, “tenho realmente azar, mercado vazio e a pessoa tem que trombar justo comigo”, dentre outros pensamentos, que as pessoas podem ter.

São várias as possibilidades que podem surgir em nossas mentes, e é aí que reside a armadilha, pois um fato de baixa significância traz pensamentos, que geram sentimentos.

Continuando com o nosso exemplo hipotético, imagine que você chegue no trabalho em sequência do trombar com o sujeito no mercado. Consideremos que surgiu o pensamento “ninguém me respeita, nem no mercado, sou mesmo um fracasso”, você estará todo absorto naquela vivência anterior, e concorda que as chances de você se comportar em relação às situações do seu ambiente em função desse sentimento são bem grandes?

Suponha que você tem a crença martelada por seus pais que quando criança apanhava na escola e ouvia “você apanhou de novo? é um fracassado”, “esbarraram em mim no mercado, e eu não fiz nada, sou um fracasso”. O fato ocorrido foi um gatilho que despertou o padrão das relações e produtividade nos momentos subsequentes, pois sua mente, foi tomada pelo furacão dos pensamentos, sentimentos e comportamentos, e o caos está lançado.

Por que isso ocorre? Quando não identificamos os nossos pensamentos, experimentamos sentimentos desconexos com o momento presente, que são um falso guia aos nossos comportamentos.

Agora que já equacionamos o processo, você deve estar se perguntando, como minimizar ou até mesmo neutralizar esses processos inevitáveis?

Entenda que os pensamentos são incontroláveis para todos os seres humanos, e o controle está em identificar e impedir que uma espécie de espiral dos sentimentos aleatórios tome conta de nossas vidas, sem que percebamos, causando: medo, angústia, raiva, estresse, bem como sentimentos como alegria, amor…

Sendo assim, em qual o lugar da mente que os pensamentos devem estar? No momento presente! É esse o grande desafio: ressignificar o passado e programar o futuro.

Isso proporciona energia e vitalidade para realizar o que queremos e controlar os sentimentos.

Como lidar com tudo isso? Como no mundo dos pensamentos não há controle de emoções, os devaneios não proporcionam controle. A busca pelo autoconhecimento do fluxo de ideias que disparam os estados internos é um exercício a ser feito o tempo todo, para que tenhamos um emocional direcionado aos nossos objetivos.